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VLADIMIR
MALUF
Da Redação
Da Redação
Na adolescência, há um afastamento natural, para que os filhos possam
testar sua autonomia
A adolescência é um período complicado para pais e filhos. As relações
ficam mais difíceis, as preocupações aumentam e é preciso administrar com calma
essa fase cheia de experiências novas para os jovens. Para evitar o
distanciamento, duas especialistas listam dez erros comuns, cometidos pelos
pais, em relação aos adolescentes.
1º ERRO: não
entender que os filhos cresceram
As crianças são muito ligadas aos pais. Mas, na adolescência, há um
afastamento natural, para que os filhos possam testar sua independência e
autonomia. E isso não significa que os jovens não gostam mais de seus pais. A
psicóloga Marina Vasconcellos explica que os adultos devem entender esse
momento e dar mais liberdade (claro, com limites). “Não dá para permitir tudo,
mas é um erro impedir que os adolescentes tenham experiências novas, afinal,
eles cresceram e precisam disso para a construção da identidade.”
2º ERRO: minimizar
as descobertas
Os pais costumam dizer aos filhos que sabem perfeitamente pelo que eles
estão passando, pois já viveram tudo aquilo. E, portanto, acham que podem dizer
qual é o melhor caminho. Marina diz que isso é um erro. “É preciso respeitar o
momento do filho, sem impor seu modo de pensar. Por mais que tenhamos ideia de
como é, agora é a vez deles”, diz a psicóloga. “É impossível impedir o
sofrimento dos filhos. Todos têm tristezas e dificuldades. Os jovens também.”
3º ERRO: não saber
como controlá-los
Os adolescentes se consideram maduros e não gostam de dar satisfações.
Mas precisam. E o ideal é fazer com que isso aconteça naturalmente, sem a
necessidade de cobrar explicações. De acordo com Marina, “se os adolescentes
são tratados com respeito, geralmente, retribuem da mesma maneira”, diz ela.
“Pais que julgam bloqueiam os filhos, que se fecham. Em uma relação saudável,
as conversas fluem normalmente. Isso inclui falar sobre que estão passando,
apresentar os amigos, compartilhar as experiências”. O conselho dela é dar
espaço para que o filho se abra, sem que sinta medo de ser julgado. “Quebre o
clima de tensão entre vocês com bom humor.”
·
Não minimize as descobertas do seu filho sempre repetindo que já passou
por tudo isso
4º ERRO: exagerar
nas cobranças
A adolescência é uma fase de muitas cobranças. Os pais querem que os
filhos tenham um bom futuro, estudem, tenham boas companhias, criem
responsabilidade, não se envolvam com drogas... A sugestão de Marina é escolher
a forma certa de cobrar. “Os pais devem ser afetuosos, senão não funciona. Não
podem apenas cobrar. A cobrança precisa ser intercalada com carinho, diversão,
momentos descontraídos e diálogos. Muita pressão cansa os dois lados:
adolescentes e pais.”
5º ERRO: não saber
dar liberdade
Podar demais não dá certo. “Deixe que o seu filho durma na casa dos
amigos”, exemplifica Marina Vasconcellos. “Ligue para os pais do amigo,
certifique-se de que é seguro e permita”. De acordo com a psicóloga, os pais
têm dificuldade para saber qual é o momento certo de permitir que os filhos
saiam à noite. “Aos 15 ou 16 anos, eles querem chegar mais tarde em casa.
Querem ir para as baladas. Deixe-os ir, mas é importante ir buscá-los, para ver
como saem dessa balada (se estão com os olhos vermelhos ou bêbados, por exemplo)”,
recomenda a psicóloga. “Combine um horário condizente com a idade e a
maturidade do seu filho.”
6º ERRO: demonstrar
falta de confiança
Certificar-se de que o seu filho está em segurança é bem diferente de
vigiá-lo. De acordo com a psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, o filho pensa
que, se o pai não confia nele, pode fazer o certo ou o errado, pois não fará
diferença. “Investigar exageradamente não estimula a responsabilidade. Gera um
clima de desconfiança –e as relações íntimas são baseadas na confiança”, alerta
a especialista. “Diga para o seu filho que quer se assegurar de que ele estará
bem e informe-se, mas não aja às escondidas.”
7º ERRO:
desesperar-se nas crises
Os adolescentes dão trabalho. Mas é essencial agir com cautela. “As
reações precisam ser proporcionais aos fatos”, diz Cecília. “Se o seu filho
entrou em coma alcoólico é uma coisa, se chega cheirando a bebida é outra. Os
pais devem hierarquizar a gravidade dos problemas”. De acordo com a psicóloga,
ter uma reação desmedida (ou dar broncas muito frequentes) estimula o filho a
mentir. “Para o adolescente, o problema é a bronca. Ele não pondera se suas
atitudes podem ser perigosas. Por isso, converse com calma, para entender as
razões que o levaram a fazer escolhas erradas. Descubra se é algo frequente e
explique as consequências.”
·
Colocar defeito em todos os namorados dos seus filhos pode afastá-los de
você. Cuidado!
8º ERRO:
constranger os filhos
Na adolescência, é comum os filhos terem vergonha dos pais. Tente
compreender isso. Cecília explica que os pais são munidos de informações que
podem envergonhar o filho diante dos amigos. Particularidades que só os pais
sabem, mas que o jovem não quer que sejam reveladas. “Os adultos precisam
evitar expor a intimidade dos filhos, pois, muitas vezes, o deixam
constrangido. Evite, também, estender muito as conversas com os amigos dele.
“Pai e mãe não são amigos. Pais que querem ser amigos não estão sendo bons
pais”, alerta Cecília. “A relação precisa ser hierárquica. Isso não significa
que tenha de ser ruim. A diferença é que, com amigos, temos relações de igual
para igual. Entre pais e filhos não é assim”, diferencia a psicóloga. “Os pais
podem ser bacanas, compreensivos, divertidos, mas são pais.”
9º ERRO: colocar
seu filho em um altar
Pare de pensar que ninguém está à altura do seu filho. É comum os pais
colocarem defeitos em todos os amigos e, principalmente, nos namorados que os
adolescentes têm. Cecília lembra que o excesso de julgamento faz com que os
filhos se fechem. “O resultado de tantas críticas é que os filhos passam a
esconder namorados e amigos dos pais. Eles perdem a vontade de apresentar
pessoas com quem convivem e começam a ficar mais na rua do que dentro de casa”,
alerta.
10º ERRO: fazer
chantagens
Ameaçar cortar a mesada, caso o filho não obedeça, é muito comum. Assim
como dizer que, enquanto ele viver às suas custas, não poderá tomar certas
atitudes. “Isso é uma chantagem e não educa”, resume Cecília. “Os pais devem
explicar as razões que os levam a proibir determinados comportamentos. Com
ameaças, o jovem apenas obedece para não perder um benefício”. A psicóloga diz,
ainda, que, agindo assim, a relação entre pais e filhos fica muito rasa. “É
como beber e dirigir: quem não faz, pois sabe que é perigoso para si e para as
outras pessoas, compreende o problema. Quem deixa de fazer apenas por medo da
multa, não entende os riscos”, exemplifica.

olá marilene
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